Estudo revelou o potencial de dois óleos essenciais no combate à resistência bacteriana

Variedades como tomilho e alecrim podem reforçar naturalmente o tratamento de infeções.Num contexto de crescente resistência bacteriana aos medicamentos, os óleos essenciais de tomilho e alecrim estão novamente a atrair a atenção da comunidade científica internacional. Ao longo dos séculos, os óleos essenciais fizeram parte da medicina natural. A abordagem moderna baseia-se em pesquisas científicas sobre suas propriedades antimicrobianas, explicou a Dra. Malvina Brozina, que lidera o grupo de pesquisa . Cada óleo essencial é uma mistura complexa de moléculas químicas que atuam simultaneamente e em diferentes direções sobre a célula bacteriana. De acordo com a equipa, esse efeito combinado pode aumentar a eficácia dos antibióticos e dificultar o desenvolvimento de resistência nas bactérias.

Resultados contra a bactéria Staphylococcus aureus

Os resultados publicados na revista concentraram-se no efeito dos óleos de tomilho e alecrim sobre a bactéria Staphylococcus aureus, causadora de infecções cutâneas e feridas, com estirpes particularmente resistentes. As experiências foram realizadas em condições que imitavam uma ferida real. O óleo de tomilho demonstrou uma eficácia antimicrobiana mais elevada em comparação com os testes laboratoriais padrão, enquanto o óleo de alecrim mostrou um efeito reduzido neste ambiente.

«Estas diferenças demonstram o quanto as condições em que o estudo é realizado influenciam a sua eficácia», disse Brozina. A análise estatística confirmou que a variabilidade entre as estirpes bacterianas pode alterar significativamente a resposta ao tratamento com óleos essenciais,o que põe em causa a sua eficácia universal. Os autores afirmam que as experiências devem reproduzir com precisão o ambiente clínico para uma aplicação médica real.

Rumo a uma gestão responsável

As conclusões do estudo levaram os cientistas a propor uma «gestão responsável dos óleos essenciais», apoiada por um artigo na revista. Brozina salientou que o entusiasmo pelos produtos naturais não pode substituir o rigor científico. Daí surge a necessidade de estabelecer diretrizes claras para a análise e aplicação destes óleos de forma responsável e reproduzível. A gestão responsável implica «uma estrutura reproduzível e interdisciplinar para a análise, interpretação e aplicação clínica dos óleos essenciais».

Inovações e desafios metodológicos

Uma das conquistas metodológicas pertence ao laboratório liderado pelo Dr. Adam Junka, que, juntamente com Brozina, desenvolveu diretrizes para a avaliação de antibióticos, antissépticos e óleos essenciais em condições semelhantes às infecções reais. explicou: «O PUMA é um ambiente no qual combinamos microbiologia, bioengenharia e tecnologias modernas para estudar processos biológicos com a máxima confiabilidade». A equipa planeia usar inteligência artificial para prever a eficácia de novos compostos e melhorar os experimentos.

Perspectiva clínica: potencial e cautela

A nível clínico, os investigadores insistem na cautela. Os óleos essenciais podem complementar o tratamento de infeções locais, mas antes de qualquer aplicação médica requerem fórmulas estáveis e uma padronização rigorosa. A composição química variável, dependendo da origem da planta, e as diferenças na reação das bactérias são problemas que não podem ser resolvidos com testes limitados ou experiências isoladas.

Normas e validação na medicina

Os autores concluíram que a integração dos óleos essenciais na medicina só será possível com base em normas internacionais e testes reproduzíveis. Eles alertam que o uso exclusivo de tradições ou testes não controlados pode impedir a sua validação clínica e atrasar o surgimento de novos métodos de tratamento. A aplicação de óleos essenciais contra infeções dependerá de eles serem submetidos aos mesmos requisitos que os medicamentos tradicionais. Só assim poderão ocupar um lugar legítimo e seguro na medicina moderna.

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Autor

Sonya

Lisboa

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