Os botânicos alertam: os olmos estão a desaparecer do hemisfério norte e a culpa é de um minúsculo inseto

Os olmos estão a desaparecer a um ritmo alarmante, em muitos casos em apenas uma estação. Estas árvores, que durante décadas fizeram parte da paisagem europeia e norte-americana, murcham repentinamente, deixando para trás um cenário de galhos secos e troncos mortos. Este desaparecimento em massa não é fruto do acaso. Por trás dele está um inseto minúsculo que atua como portador de um fungo letal capaz de acabar com estas árvores centenárias em questão de semanas.

Besouro da casca: o inseto responsável pela doença dos olmos

Pesquisas recentes realizadas na região da Toscana, na Itália, confirmaram que o besouro da casca do olmo (Scolytus multistriatus) é o principal vetor da grafiosis, uma doença que está dizimando os olmos em todo o hemisfério norte. Durante várias temporadas consecutivas, uma equipa científica analisou mais de 7.000 exemplares deste inseto, capturados em armadilhas de voo instaladas em zonas afetadas e áreas onde a doença parecia estar controlada.

Os resultados mostraram que cada besouro adulto transportava simultaneamente dois tipos de fungos: Ophiostoma novo-ulmi, o patógeno responsável pela grafiosis, e espécies do género Geosmithia, habitantes habituais das galerias escavadas sob a casca. Segundo informa Earth.com, ao alimentarem-se de brotos e ramos jovens, os insetos facilitam a entrada do fungo nos vasos condutores de água da árvore. Como reação defensiva, o próprio olmo bloqueia esses condutos, o que provoca o seu murchamento progressivo e, finalmente, a morte.

Doença do olmo: como atuam os fungos que causam a grafiosis

Uma das descobertas mais relevantes do estudo é a complexa interação entre os fungos transportados pelo besouro. Em áreas onde a grafiosis estava contida, os investigadores detectaram que a presença de Geosmithia superava o patógeno letal numa proporção superior a cinco para um. Este dado sugere que esse fungo pode comportar-se como um micoparasita, competindo diretamente com o Ophiostoma novo-ulmi e reduzindo a gravidade da infecção. No entanto, em áreas com surtos ativos, essa relação se inverte, indicando que a evolução da doença também depende de fatores ambientais como temperatura, umidade ou densidade de besouros presentes no ecossistema.

Como proteger os olmos: estratégias de controlo e conservação

O estudo também identificou padrões sazonais fundamentais para a gestão florestal. Os besouros apresentam duas grandes ondas de voo a cada verão: uma em meados de julho e outra, mais intensa, no final de agosto, coincidindo com os níveis mais elevados de carga fúngica. Além disso, observou-se que as fêmeas, que colonizam primeiro os locais de reprodução, transportam maiores quantidades de Geosmithia, um dado relevante para a vigilância da praga.

Atualmente, a medida mais eficaz continua a ser a sanitização florestal: a rápida remoção de madeira morta ou infetada para interromper o ciclo reprodutivo do besouro. Embora o uso de Geosmithia como agente de controlo biológico seja promissor, os especialistas alertam que a sua aplicação requer estudos de campo exaustivos para evitar efeitos secundários indesejáveis. A combinação dessas medidas com o desenvolvimento de variedades resistentes será decisiva para o futuro dos olmos.

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Autor

Sonya

Lisboa

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