Existe uma planta tão minúscula que a sua presença mal se percebe na superfície da água. Trata-se da Wolffia angusta, a flor mais pequena do mundo, cujo tamanho não ultrapassa um milímetro e que, apesar da sua aparência mínima, conserva todas as funções vitais de uma planta completa. O seu estudo revela que mesmo os organismos mais minúsculos podem ter um impacto ecológico e nutricional considerável.
Wolffia angusta: a menor flor do mundo que parece uma alga
À primeira vista, a Wolffia angusta pode ser confundida com um ponto verde flutuante ou mesmo com uma cianobactéria. No entanto, é uma planta vascular da família das araceae, capaz de se reproduzir sexualmente através de flores microscópicas que contêm pólen e estigma. Segundo informa Ecología Verde, a bióloga Ulla Rothschuh explica que, embora pareça um simples musgo, a Wolffia possui tecidos diferenciados e desempenha todas as funções reprodutivas de qualquer planta.
As suas dimensões são surpreendentes: entre 0,2 e 0,9 milímetros. Para colocar em perspetiva, cada unidade de Wolffia angusta é centenas de milhares de vezes menor do que um eucalipto e milhões de vezes mais leve do que uma sequóia. Apesar do seu tamanho, esta planta consegue sobreviver em diferentes ecossistemas aquáticos, adaptando-se a lagoas, lagoas e zonas de águas calmas com nutrientes abundantes.

Anatomia da Wolffia angusta: uma planta microscópica com todas as funções vitais
Esta planta aquática não tem raízes, caules ou folhas convencionais. O seu corpo, denominado fronda, concentra todas as funções vitais, desde a fotossíntese até à reprodução. A sua flor, que não ultrapassa o tamanho de um grão de areia, produz frutos cónicos de aproximadamente 0,4 milímetros, comparáveis a um grão de sal.
A sua capacidade de reprodução é igualmente surpreendente. Principalmente assexuada por gemulação, pode duplicar a sua população em apenas 48 horas, colonizando rapidamente águas ricas em nutrientes. Essa velocidade torna-a um organismo fundamental para os ecossistemas aquáticos da Austrália, onde é endémica, e permite que pequenos lagos se encham de folhagens em muito pouco tempo, favorecendo outras espécies aquáticas que dependem da sua sombra ou cobertura.
A menor flor do mundo como recurso ecológico e superalimento

A Wolffia angusta tem aplicações práticas. Funciona como bioindicador ambiental e purifica corpos de água contaminados, absorvendo nitrogénio e fósforo, os principais responsáveis pela eutrofização de rios e lagos. Além disso, ao proliferar rapidamente, ajuda a reduzir a proliferação de algas nocivas, contribuindo para o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos. No âmbito alimentar, esta planta microscópica também se destaca. É conhecida como «caviar verde» e contém até 30% de proteínas, comparável à soja, e é rica em aminoácidos essenciais, vitaminas e minerais.
O seu cultivo requer pouco espaço e recursos, o que a torna um superalimento aquático ideal para projetos de nutrição sustentável e segurança alimentar em comunidades vulneráveis. Esta flor microscópica combina curiosidade científica, utilidade ecológica e potencial nutricional num organismo que mal atinge um milímetro de comprimento. O seu estudo e aproveitamento podem transformar tanto a conservação ambiental como a alimentação do futuro, lembrando-nos que mesmo os seres mais minúsculos podem ter um grande impacto.

