A cada verão austral, vastas áreas de gelo da Antártida adquirem tons rosados e avermelhados, que quebram a uniformidade da paisagem. Parece um fenómeno visual impressionante, mas na verdade é um indicador alarmante do impacto das alterações climáticas. Os investigadores conseguiram provar que essa «neve rosa», causada por algas microscópicas, acelera o derretimento do continente.
Algas vermelhas e neve rosa na Antártida: uma descoberta científica fundamental
Um estudo realizado pelo Instituto de Ciências Marinhas em colaboração com a Universidade e a Universidade do País permitiu medir pela primeira vez a área real de propagação das algas vermelhas na Antártida. O trabalho concentrou-se nas Ilhas Shetland do Sul, um arquipélago localizado a cerca de 120 quilómetros do continente antártico Os dados mostram que as algas colonizam entre 3% e 12% da superfície de cada ilha nos meses de verão, atingindo uma área máxima de 176 quilómetros quadrados. A sua presença é detectada tanto em glaciares como em calotas polares e zonas costeiras cobertas de neve.
Como as algas vermelhas aceleram o derretimento da Antártida e reduzem o albedo
As algas contêm pigmentos que escurecem a superfície do gelo, reduzindo a sua capacidade de refletir a radiação solar, um parâmetro conhecido como albedo. Quando a neve perde a sua brancura, absorve mais energia solar e aumenta a sua temperatura. O problema é agravado pelo facto de a água resultante do derretimento criar um ambiente favorável para a proliferação de algas, estabelecendo um ciclo de retroalimentação que intensifica a perda de gelo no contexto do aquecimento global.

Satélites, drones e inteligência artificial para estudar a «neve rosa» da Antártida
Para uma análise precisa deste fenómeno, o grupo científico aplicou uma metodologia avançada que combina observação remota e trabalho de campo. Entre 2018 e 2024, foram utilizadas imagens dos satélites Sentinel-2, complementadas por sensores hiperespectrais instalados em drones utilizados no terreno. Esta tecnologia permite analisar a interação da luz com a superfície nevada em diferentes comprimentos de onda. Em seguida, utilizando métodos de aprendizagem automática, os investigadores processaram 45 imagens de satélite para criar mapas detalhados da distribuição das algas.
O aumento da quantidade de algas vermelhas é um sinal alarmante para o futuro da Antártida
Os dados recolhidos mostram que a quantidade dessas algas aumenta a cada ano e que o período de atividade se prolonga durante o verão austral. Esse progresso torna a neve rosa um indicador biológico da vulnerabilidade dos ecossistemas polares diante das mudanças climáticas. Os cientistas enfatizam a importância de desenvolver sistemas de monitorização contínua baseados em inteligência artificial para prever o desenvolvimento do degelo na Antártida.

