Investigadores da Sociedade Histórica de Wisconsin, em colaboração com a Universidade de Wisconsin-Madison e comunidades indígenas locais, descobriram 16 canoas afundadas com objetos antigos, datados de 5200 a 700 anos atrás. Esta descoberta foi feita no fundo do lago Mendota, em Wisconsin (Estados Unidos). É importante notar que a mais antiga destas embarcações é anterior até mesmo à construção da Grande Pirâmide de Gizé, o que a torna a mais antiga registada na região e uma das mais significativas da América do Norte.
Canoas pré-históricas em Wisconsin: descoberta arqueológica com mais de 5000 anos
O projeto começou após a descoberta de uma canoa de 1200 anos em 2021 e ganhou força em 2022 com a descoberta de outra canoa de 3000 anos, seguida pela descoberta de mais 14 canoas, ainda submersas. As canoas estão localizadas em grupos estratégicos, o que indica que essas áreas serviam como locais de armazenamento ou reexpedição. A arqueóloga marinha Tamara Tomsen e a sua equipa identificaram madeira vermelha e branca, escolhidas devido à sua resistência, apesar de a madeira vermelha absorver água, o que demonstra conhecimentos avançados na área da escolha de materiais.

Tecnologia e engenharia pré-históricas das canoas do Lago Mendota
A análise da madeira mostra que os construtores pré-históricos estimularam a formação de estruturas internas que bloqueiam a entrada de água e impedem a decomposição, o que é comparável à bioengenharia moderna. Os troncos eram escavados com fogo controlado e raspados com ferramentas de pedra e conchas, o que demonstra domínio da engenharia e do processamento de materiais, permitindo a criação de embarcações resistentes que serviram durante séculos.
A vida dos povos indígenas e as redes sociais refletidas nas canoas pré-históricas
As canoas não eram apenas um meio de transporte, mas também uma ferramenta necessária para a pesca, a caça e a comunicação entre as aldeias. Os pesos de rede encontrados no interior de algumas embarcações atestam a sua função prática na garantia da subsistência, e a sua localização estratégica indica rotas de transporte e locais com significado cerimonial ou social. De acordo com os especialistas Larry Pluciński e Bill Quakenbush, das Primeiras Nações, estas embarcações refletem redes sociais complexas e o uso sustentável dos recursos naturais ao longo de milénios.

Conservação de canoas: técnicas modernas e proteção do património
Duas das canoas restauradas são tratadas com polietilenoglicol (PEG) para estabilizar a madeira antes de serem exibidas no Centro Histórico de Wisconsin. Este processo impede a sua deterioração ao secarem e permite que os visitantes as admirem em condições ideais. O projeto é apoiado pelo programa Save America’s Treasures do Serviço Nacional de Parques, que garante a preservação destas relíquias milenares e o seu estudo por gerações futuras.

