Especialista em plantas: «Se batermos numa árvore de limão, ela dará limões, mas há maneiras mais eficazes».

A árvore de limão ocupa um lugar central nas hortas e jardins domésticos, tanto pela sua decoratividade como pela sua frutificação. Em torno dela circulam conhecimentos transmitidos de geração em geração, alguns dos quais baseados em observações empíricas e outros diretamente em crenças populares. Foi o que aconteceu após o surgimento de um vídeo viral, no qual uma mulher bate em uma árvore de limão com o objetivo de fazê-la dar mais frutos. A discussão se ampliou, e um agrônomo e fruticultor analisou esse fenômeno do ponto de vista científico. Suas explicações permitiram compreender quais mecanismos fisiológicos são ativados.

Bater numa árvore de limão para que ela dê frutos: ciência ou mito?

A ideia de que bater numa árvore de limão contribui para o aparecimento de limões não surgiu do nada. Como Fortunato explicou em declarações publicadas na rádio argentina, o efeito existe, embora este procedimento não seja recomendado. A aplicação de danos físicos à planta resulta na formação de uma ferida, que acarreta perda de seiva e redução da viabilidade geral. Essa redução da viabilidade perturba o equilíbrio interno da árvore de limão. A nível fisiológico, os fluxos hormonais são alterados e as reações de sobrevivência são ativadas. Em termos simples, a planta interpreta o dano como uma ameaça e dá prioridade à reprodução, formando mais pontos de floração que podem então transformar-se em frutos. O resultado visível é um maior número de flores e, potencialmente, um maior número de limões.

O stress como gatilho da floração da árvore de limão

O conceito-chave para compreender este processo é o stress vegetal. A árvore de limão, tal como outras espécies frutíferas, reage a situações adversas tentando continuar a sua linhagem. A flor é o primeiro passo deste mecanismo, pois permite a formação do fruto e da semente. Os golpes no tronco ou nos ramos não são a única forma de provocar esse stress. Fortunata indicou que qualquer ação que enfraqueça temporariamente a planta pode produzir um efeito semelhante. No entanto, a diferença está no controlo dos danos. Impactos diretos resultam em feridas abertas, que expõem a árvore de limão a patógenos, fungos e bactérias, o que tem consequências a médio e longo prazo.

Métodos alternativos para estimular a árvore de limão sem danificá-la

Na fruticultura, existem técnicas que visam atingir o mesmo objetivo (diminuir o crescimento para estimular a floração) sem prejudicar a saúde da árvore de limão. Entre as mais comuns estão: Restrição temporária da irrigação em momentos-chave do ciclo vegetativo, especialmente antes da floração. Dobrar os ramos, prática que altera o fluxo de seiva, modificando a orientação natural do crescimento.

Por que não se deve danificar diretamente a árvore?

Fortunata insistia que os golpes na árvore de limão acarretam riscos evidentes. Cada ferida é uma porta de entrada para doenças fúngicas e bacterianas, que podem danificar gravemente a estrutura da árvore. Do ponto de vista agronómico, o objetivo não é levar a árvore de limão ao limite, mas sim gerir o seu desenvolvimento de forma equilibrada. O stress controlado pode ser uma ferramenta útil, mas sempre dentro de parâmetros que não causem danos irreversíveis.

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Autor

Sonya

Lisboa

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