Sem sal, a comida não é saborosa. Ele está sempre à mão, é usado quase sem pensar (às vezes em excesso) e faz parte de quase todas as receitas, tanto modernas quanto tradicionais. No entanto, por trás da sua aparente simplicidade, escondem-se decisões que podem afetar o bem-estar a longo prazo. A sal é um desses produtos indispensáveis. Embora o seu consumo deva ser moderado, continua a ser necessária tanto para realçar o sabor dos alimentos como para o funcionamento do organismo. Mas quando estamos diante da prateleira do supermercado, muitas vezes surge a pergunta: o que é melhor — o sal marinho, considerado mais natural, ou o sal iodado, recomendado por muitos especialistas?
O que é melhor — sal marinho ou iodado?

O primeiro ponto em que os especialistas concordam é a necessidade de não exagerar. A Organização Mundial da Saúde recomenda não exceder cinco gramas por dia, enquanto organizações como a Sociedade Alemã de Nutrição aumentam ligeiramente essa norma para seis gramas para adultos. Na prática, muitas pessoas excedem essas recomendações sem se aperceberem disso, uma vez que a maior parte do sódio provém de produtos processados. Embora os sais sejam frequentemente apresentados como produtos muito diferentes, todos eles têm um componente básico comum: cloreto de sódio. A diferença está na sua origem e, em alguns casos, nos nutrientes adicionados.
O sal marinho é obtido através da evaporação da água do mar em grandes áreas de águas rasas. A sal-gema, por sua vez, é extraída de depósitos subterrâneos formados há milhões de anos, e a sal refinada geralmente passa por um processo de purificação antes de chegar ao consumidor. A sal iodada não é um tipo específico, mas qualquer sal ao qual foi adicionado iodo em quantidades regulamentadas. Este mineral é necessário para o funcionamento da glândula tireóide, que controla processos como o metabolismo ou o desenvolvimento neuropsíquico.
Há décadas que várias autoridades de saúde alertam para a falta de iodo na dieta de parte da população europeia. De acordo com a Organização Mundial da Saúde e a UNICEF, a iodização da sal é uma das estratégias mais eficazes e económicas para prevenir distúrbios causados por essa deficiência, como bócio ou problemas cognitivos em estágios iniciais. Por esse motivo, muitos especialistas recomendam escolher sal iodado, se não houver contraindicações médicas. O seu consumo moderado pode ajudar a cobrir as necessidades diárias sem alterações significativas na dieta.

Um estudo da revista alemã Öko-Test, especializada em questões de consumo, analisou várias sales iodadas disponíveis no mercado europeu e concluiu que a maioria delas tem uma qualidade satisfatória. Ingredientes potencialmente problemáticos eram raros, embora tenha sido encontrado um elemento que suscitou discussão: os agentes antiaglomerantes. Cerca de três quartos dos produtos avaliados continham ferrocianato de sódio (E535), um composto que impede a aglomeração do sal. Ele é permitido pelas autoridades alimentares, mas algumas organizações de consumidores consideram que pode ser dispensado, especialmente quando existem alternativas. Por exemplo, os sais com certificação ecológica não contêm esta substância. Existem também soluções caseiras simples, como adicionar alguns grãos de arroz ao saleiro para absorver a humidade, que ajudam a manter a textura sem a necessidade de aditivos.
O sal marinho é mais saudável?
Existe a opinião de que o sal marinho contém mais minerais e, por isso, é mais valioso do ponto de vista nutricional. No entanto, instituições como a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) lembram que esses traços são geralmente tão pequenos que não têm um impacto significativo na dieta. A principal diferença prática é que, se não for enriquecida, a sal marinha não contém iodo. Portanto, a substituição total da sal iodada por sal sem este mineral pode reduzir o seu consumo. Mais do que comparar os dois produtos, os especialistas concordam numa ideia principal: usar pouca sal e escolhê-la com sabedoria. Para a maioria da população, a sal iodada é uma forma simples de prevenir a deficiência de nutrientes, desde que consumida de forma responsável.

