Manter os seus objetivos em segredo aumenta a motivação e a eficácia Num ambiente em que a exposição pública e a busca por reconhecimento parecem predominantes, surge um princípio apoiado pela ciência e pela psicologia: manter os objetivos pessoais em segredo pode ser a chave para alcançá-los de forma mais eficaz. Todos os anos, milhares de pessoas estabelecem metas para mudar: praticar mais desporto, alimentar-se melhor, parar de adiar as coisas ou simplesmente ser mais feliz. No entanto, como explicou o psicanalista Christian Richom, «fazemos uma lista do que pretendemos mudar… e todos os anos, ou quase todos, essas metas desmoronam-se já em fevereiro, e às vezes até antes» .
Na opinião do especialista, para uma transformação pessoal é necessário algo mais do que boas intenções: «Não mudamos o nosso comportamento para sempre porque «decidimos», mas porque compreendemos para que ele é necessário, para proteger ou evitar». É precisamente a compreensão e o progresso gradual que são decisivos. «Um pequeno passo, mas repetido, tem mais impacto do que uma decisão ambiciosa que acaba por ser abandonada. O cérebro gosta de regularidade, não de mudanças bruscas», afirmou Richom na revista Psychologies.

O poder do silêncio
Por sua vez, o psicólogo Peter Gollwitzer, da Universidade de Nova Iorque, liderou um estudo que confirma que manter os seus objetivos em segredo aumenta a motivação e a eficácia. «Depois de partilhar as suas intenções com outras pessoas, sente uma sensação de satisfação prematura», observou. O seu estudo mostrou que aqueles que mantiveram os seus objetivos em segredo trabalharam em média 45 minutos em cada tarefa, enquanto aqueles que os anunciaram trabalharam 33 minutos. «Aqueles que mantiveram o silêncio sentiram-se mais próximos do seu objetivo, apesar de terem trabalhado cerca de 25% menos», disse o investigador.
Além da produtividade
Mas o silêncio não apenas aumenta a eficiência. Ele também protege a saúde emocional. A psicóloga Lesina Fernandes explica no blog de psicologia da Ordem Oficial de Madrid que manter «os seus objetivos em segredo permite preservar a energia emocional e reduzir o stress associado às opiniões dos outros». Ao manter a confidencialidade dos seus projetos, a pessoa protege-se de comparações, dúvidas e reações externas que podem minar a motivação. Além disso, isso reforça a concentração interna, independente da aprovação dos outros, uma vez que a atenção está focada em ações específicas e não na perceção social. Embora muitas pessoas tenham conversas superficiais para não criar desconforto por não saberem o que dizer, há pessoas que preferem o silêncio para não gastar a sua energia à procura de temas para esse tipo de conversa.
Os obstáculos do silêncio

No entanto, praticar o silêncio positivo nem sempre é fácil. A nível individual, isso requer esforço, persistência e coragem. A nível social, vivemos rodeados de estímulos constantes, como as redes sociais. «Todos esses ruídos são criados para atrair as pessoas, seduzi-las, absorvê-las e, assim, criar cada vez mais dependência do ruído e dificultar o silêncio», afirma Fernández. A sociedade contemporânea, com excesso de informação e ruído digital, dificulta a busca por momentos de tranquilidade e concentração. No entanto, aqueles que conseguem isolar um espaço de silêncio descobrem que ele contribui para a atenção, a concentração, a reflexão e a paz interior.
Benefícios psicológicos e sociais do silêncio
Além disso, o silêncio atua como um catalisador do bem-estar geral. Segundo Fernández, «o silêncio influencia a vida. É necessário para o nosso mundo interior: para pensar, concentrar-se melhor, ouvir com atenção, compreender, encontrar a paz interior. E é necessário para nos abrirmos: para comunicar com o nosso coração e com o mundo».
As vantagens abrangem vários aspetos:
- Emocional: paz, tranquilidade e serenidade.
- Cognitivo: melhora a concentração, a atenção e a clareza mental.
- Social: facilita o desligamento dos estímulos externos e a autenticidade nas relações.
- Espiritual: conexão com o nosso mundo interior e com o ambiente.

