No centro do complexo do amendoim, pesquisas locais em biotecnologia demonstram um progresso que está a mudar as condições de produção para exportação. O empresário e agrônomo responsável pelo viveiro desenvolveu várias variedades de amendoim resistentes à doença do carbono (Thecaphora frezii) e à esclerotinia (Sclerotinia minor).
«Estas doenças fúngicas causaram perdas de até 50 milhões de dólares nas temporadas anteriores, o que afetou a posição do país como exportador mundial de amendoim», explica Soave, acrescentando que a «descoberta» destas variedades «representa um grande avanço para a ciência e a agricultura nacional».
Ele não está sozinho nessa tarefa: a sua filha, engenheira agrônoma, faz parte de um grupo de pesquisa que aplica métodos de genómica e bioinformática para resolver problemas sanitários do cultivo. «Trabalhar com o meu pai é um grande desafio. Conheço poucas pessoas tão apaixonadas por amendoim quanto ele: para ele, não é apenas um trabalho, é a sua vida e uma forma de contribuir para a melhoria das variedades em todo o mundo por meio da seleção genética. A fasquia está muito alta. e isso é inspirador e exige muito esforço», conta Sara.

Como são desenvolvidas as diferentes variedades?
O processo baseia-se na seleção com marcadores moleculares e na inclusão de genes de amendoim selvagem. No campo experimental, a equipa técnica utiliza um «infectário», uma área de solo com um nível de carga patogénica acima da média, criada artificialmente para avaliar a reação dos genótipos. As plantas que demonstram alta resistência à podridão carbonosa e à esclerotinia são posteriormente reproduzidas para distribuição comercial.
Transição tecnológica
As atividades de melhoramento de plantas de Juan Soave, de 74 anos, começaram em meados da década de 70. Após uma fase de formação nos Estados Unidos, onde adquiriu conhecimentos e conselhos de criadores de renome, como o Dr. Soave, introduziu conjuntamente no país o amendoim do tipo Runner em 1977. Essa inovação tecnológica levou, em poucos anos, à substituição do amendoim vermelho, que era cultivado até então, e a nova variedade triplicou a média de rendimento por hectare.
Desde a fundação do viveiro «El Carmen», em 1995, a empresa se especializou na criação e controle de sementes. Na década de 90, Soave obteve uma variedade de amendoim com uma composição especial de ácidos gordos. Após um processo de cruzamento artificial, seleção e análises químicas especiais — semente por semente —, em 2003, obteve e registou a primeira variedade «alto oleico». Essa característica, que prolonga o prazo de validade do grão sem o aparecimento de ranço, tornou-se um fator fundamental que permitiu à produção local entrar nos mercados mais exigentes da Europa.

Seleção genética
«Trabalhar com o meu pai é um grande desafio. Conheço poucas pessoas tão apaixonadas por amendoim como ele: para ele, não é apenas um trabalho, é a sua vida e uma forma de contribuir para a melhoria das variedades em todo o mundo através da seleção genética. A fasquia está muito alta… e isso é inspirador e exige muito esforço», conta Sara Soave, engenheira agrónoma que hoje trabalha lado a lado com ele.
Nos últimos anos, o viveiro começou a utilizar uma nova fonte de variabilidade genética, composta por uma população única no mundo, formada pelo cruzamento de três espécies de amendoim selvagem que se mantiveram na natureza durante milénios, o que levou ao aparecimento de várias características valiosas que permitiram criar variedades resistentes a várias doenças que afetam esta cultura, tais como o carvão e a esclerotinia.
Como o amendoim cultivado é tetraploide, a equipa científica e técnica teve de realizar processos muito complexos para duplicar o número de cromossomas que os amendoins selvagens têm em laboratórios de biotecnologia, para garantir a compatibilidade no cruzamento e, assim, restaurar as propriedades defensivas naturais que o amendoim comercial perdeu ao longo da sua evolução. Atualmente, as pesquisas estão focadas na busca por materiais com maior resistência a doenças que afetam tanto a parte aérea quanto a parte subterrânea das plantas, onde se encontram os frutos e sementes do amendoim.

