Quatro barras com mais de 35 quilos, provenientes da extração ilegal de ouro e avaliadas em quase 2 milhões de dólares, foram apreendidas

A investigação revelou que a carga apreendida não tem origem legal e está provavelmente ligada a redes de extração ilegal que procuram introduzir o mineral no comércio oficial A devolução de bens relacionados com a economia ilegal volta a ocupar um lugar central na agenda judicial. Em Lima, uma decisão fiscal transfere para o controlo do Estado uma carga de alto valor que, segundo a investigação, provém de atividades proibidas. Este caso revela os mecanismos utilizados para introduzir minério de origem ilegal no comércio oficial.

O processo desenvolve-se no âmbito da luta contra a mineração ilegal, um crime que gera enormes receitas e causa danos ao ambiente e à sociedade. As autoridades fiscais afirmam que o controlo da rastreabilidade do ouro é fundamental para reprimir as atividades dessas redes e impedir que os recursos obtidos entrem no sistema financeiro. Neste caso, a intervenção fiscal terminou com uma decisão favorável, segundo a qual o Estado recebe um lote de barras de ouro. O valor económico do material e as circunstâncias da sua aquisição tornam este caso um dos mais significativos do ano no domínio da perda de propriedade.

Perseguição fiscal e características do ouro apreendido

A Quarta Procuradoria Provincial de Confiscação em Lima obteve o reconhecimento da legitimidade da ação de confiscação de «apenas 35,32 kg de ouro, obtidos através da extração ilegal». O material consiste em quatro barras de ouro de diferentes pesos: 9,51 kg, 8,33 kg, 9,07 kg e 8,41 kg. De acordo com as informações fiscais, o valor total da carga no mercado internacional é de «1 869 038,98 dólares». Após a decisão judicial, os lingotes passarão a ser propriedade do Estado no âmbito do processo de confiscação de bens relacionados com atividades criminosas.

Durante o processo, a empresa não apresentou documentos que comprovassem a origem legal do mineral, nem provas de que as compras aos seus fornecedores correspondiam aos volumes de extração no âmbito das concessões mineiras oficiais. A investigação foi conduzida pelo procurador provincial. De acordo com os autos do processo, os fornecedores da empresa ré também não demonstraram a existência da base logística necessária para a produção da quantidade de mineral vendida.

A auditoria fiscal concluiu que a ausência de comprovação documental e operacional leva a uma única conclusão: «concluiu-se que o ouro foi obtido através de extração ilegal, conforme estabelecido no Decreto Legislativo 1373, Lei de Confiscação de Bens». Esta lei regula a perda de direitos de propriedade sobre bens relacionados com crimes, mesmo sem condenação criminal prévia.

A Procuradoria explica que a privação de direitos de propriedade é «um mecanismo jurídico que permite às autoridades judiciais investigar e privar os direitos de propriedade sobre bens adquiridos como resultado de atividades criminosas». O objetivo principal é devolver esses bens ao Estado e impedir a sua utilização futura para a prática de crimes, no âmbito de uma estratégia destinada a reduzir o impacto económico das organizações envolvidas na exploração ilegal de minerais.

Um ano marcado pelo aumento da criminalidade

O Observatório da Mineração Ilegal apresentou um relatório que evidencia o crescimento sustentado da mineração ilegal na Amazônia e na região andino-amazônica do país. O aumento do número de dragas nos rios, o desmatamento acelerado, a contaminação por mercúrio e a destruição da estrutura social tornaram-se riscos cada vez mais difíceis de conter.

Organizações como a Conservação Amazónica–ACCA relataram a expansão das suas atividades em nove regiões do país, afetando 73 comunidades indígenas e mais de 250 rios e córregos. A área total de desmatamento associada à mineração artesanal e de pequena escala atingiu 139 169 hectares, sendo que 97,5% desse volume ocorreu em Madre de Dios. No corredor mineiro e em áreas como La Pampa, as operações concentraram-se este ano em 1613 dragas em funcionamento — em comparação com as 140 registadas em 2021 — e com a participação de cerca de 6400 mineiros ilegais.

Loreto, Huánuco e expansão das atividades em bacias vulneráveis

O progresso não se limita apenas a Madre de Dios. Em Loreto, nas bacias de Nanay, Chambiras, Yaguas e Tigre, 42 dragas operaram em um único dia e 688 ao longo do ano. Em Huánuco, o volume de desmatamento associado à exploração ilegal triplicou em um ano: de 558 hectares em 2024 para 1.700 em 2025. Rios como o Yuyapichis estão entre os mais afetados. O Instituto de Gestão de Recursos Naturais (NRGI) alertou que a expansão das atividades também é uma resposta ao apoio legislativo contínuo, que cria incentivos favoráveis para as redes criminosas.

Pode interessar-lhe: metal pensão

Mergulhar os lençóis em sumo de limão: para que serve e por que recomendam fazê-lo

Água oxigenada na sanita: para que serve usá-la uma vez por semana

Autor

Sonya

Lisboa

Olá, sou a Sonya. Tenho um blogue sobre como simplificar a vida quotidiana e histórias interessantes.